Nenhuma Luz

abril 8, 2008

—Boa noite filho!
—Boa noite mãe!
—A luz do corredor está apagada?
—Sim mãe, você e o papai podem me dar um beijinho?
—Sim filho, -sua mãe o beija com delicadeza e carinho – boa noite, dorme bem tá?
—Tá, agora o papai.
—Boa noite filho, dorme bem –seu pai o beija-
E assim o pai e a mãe de Lucas saem do seu quarto, deixando-o no mais completo escuro. Ao contrario das outras crianças de 8 anos, Lucas não tem medo do escuro, ele gosta mesmo é de dormir sem luz alguma lhe incomodando, isto desde que era bem pequeno, na verdade, desde bebê, seus pais não conseguiam fazê-lo dormir se alguma luz da casa estivesse acesa, e quando descobriram que isto fazia o filho dormir bem, ficaram muito felizes por morarem distante da cidade, aonde não haviam postes e carros com suas luzes acesas, pois caro leitor, se você mora na cidade é bem provável que saiba como é de noite, quando algum carro está passando, e a luz da sua lanterna entra pelas frestas da janela iluminando tudo.
Mas bem, voltemos à história, mais precisamente aquela noite. Após alguns minutos apenas que os pais de Lucas fecharam a porta do seu quarto, ele já dormia tranqüilamente. Porém passado algum tempo mais, um barulho na sua janela o acordou e curioso como só ele, foi à janela, e tentou olhar pelas frestas para identificar o que era que fazia o barulho, mas não conseguia ver nada, tentou abrir a janela, mas estava emperrada, e forçando mais um pouquinho, conseguiu, e olhando desapontado viu que não havia nada de diferente lá fora, apenas a cerca da sua casa, e a árvore de pitanga balançando ao vento suave de verão. Tentou fechar a janela, mas não conseguiu completamente e como não morava na cidade nem na nossa época, não havia perigo em deixar a janela aberta, pois todos tinham o bastante para não querer o que era do outro.
Então Lucas voltou bocejando para a cama, e deitou-se debaixo da coberta, porém, pouco depois de ter fechado os olhos, uma fina e clara luz entrou pelo vão que ficara aberto da janela, e como lhe contei no começo, Lucas não conseguia dormir com luz, ainda mais com aquela luz, parecia que quanto mais ele se virava e tentava fugir dela, mais ela a perseguia e achava uma forma de encontrá-lo, e após alguns minutos de fugas e encontros Lucas levantou-se foi até a janela, olhou para fora, e encontrou a origem da luz, era das estrelas. Ele nunca havia reparado antes como eram tantas e como pareciam tão longe, mas tão longe, que não era capaz de acreditar que elas podiam lhe tirar o sono. Caramba, – pensava Lucas – o que eu vou fazer agora? Não consigo dormir com esta luz, e também não consigo fechar a janela toda, e estou com tanto sono, o que farei? Então, como um passarinho passa por cima da nossa cabeça, uma idéia passou pela cabeça de Lucas, mas ele quis espantar o passarinho, ou melhor, a idéia, mas não pode fazer isto, e o passarinho acabou fazendo um ninho na cabeça de Lucas, e então ele não conseguia ver outra saída, teria que apagar as estrelas para poder voltar a dormir.
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